Revista Oficial da Sociedade Uruguaia de Pediatria (SUP) e recebe para publicação trabalhos relacionados à criança e seu meio ambiente.
A outra face da tuberculose pediátrica
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Palavras-chave

Tuberculose
Mudança social
Estigma social
Criança
Adolescente

Como Citar

Amaya, G., Moreira, V., Pandolfo, S., & Tort, A. (2026). A outra face da tuberculose pediátrica: impacto social, estigma e discriminação. Archivos De Pediatría Del Uruguay, 97(S1), e207. https://doi.org/10.31134/ap.97.s1.2

Resumo

Introdução: a tuberculose (TB) em crianças e adolescentes (C&A) é um problema de saúde crescente no Uruguai. Embora os esforços tenham se concentrado na identificação precoce e no diagnóstico e tratamento oportunos, existem dimensões menos exploradas, como o impacto social e a estigmatização que a doença gera na vida cotidiana de C&A e de suas famílias.
Objetivos: descrever as características sociodemográficas de menores de 15 anos diagnosticados com TB em 2024 e 2025, residentes em Montevidéu e na Área Metropolitana. Estimar o absenteísmo escolar produzido pela doença devido à indicação de isolamento respiratório, necessidade de internação, controles médicos e supervisão do tratamento. Explorar experiências de estigmatização e discriminação no ambiente escolar percebidas por C&A.
Metodologia: estudo observacional descritivo, que combina uma análise retrospectiva (casos de TB em menores de 15 anos registrados entre 01/01/2024 e 30/06/2025 em Montevidéu e área metropolitana) e uma análise transversal (avaliação do estigma em C&A de 8 a 14 anos em tratamento em julho de 2025). Dados do Registro Nacional de Tuberculose. Variáveis sociodemográficas (idade, sexo, departamento e município; composição familiar) e clínicas (forma de TB, dias de internação, duração do tratamento segundo esquemas). Impacto social: estimativa de absenteísmo escolar (isolamento respiratório inicial — tempo desde o diagnóstico até o retorno escolar; controles médicos e supervisão presencial do tratamento). Avaliação do estigma: adaptação da Child Tuberculosis Stigma Scale (CTSS) — versão não validada localmente, utilizada para fins exploratórios neste estudo —, que avalia estigma percebido, estigma internalizado e discriminação.
Resultados: foram diagnosticadas 170 C&A com TB em Montevidéu e Área Metropolitana: 111 em 2024 e 59 em 2025. Sexo masculino: 51%. Média de idade: 8 anos (DP 4,1 anos), intervalo: 8 meses a 14 anos e 10 meses. Residentes de Montevidéu: 68% (Município A: 22%; D: 15% e F: 31%). Famílias monoparentais: 87%; mãe chefe de família: 82%. Usuários do ASSE: 82%. Localização pulmonar da TB: 91%. Internação: 33/170 (19%), média de dias: 9,6 (DP 8 dias). Avaliação do tratamento: sucesso: 74%; perda de seguimento: 3%; em tratamento: 23%. Duração: esquema de 4 meses: média 150 dias (intervalo 118–182); esquema de 6 meses: média 197 dias (intervalo 163–298). Isolamento respiratório: média 12 dias (intervalo 5–26 dias); controles médicos: média 6 visitas (intervalo 4–11); supervisão presencial do tratamento: média 20 dias (intervalo 12–26 dias). Questionários (N=15): Resultado global: baixo nível de estigma (100%: 0–6 pontos). Subdimensões: 1. Estigma percebido: 100% baixo; 2. Estigma internalizado: 80% baixo, 20% moderado; 3. Discriminação e exclusão: 100% baixo. Por item: 46% preferem não contar que têm TB; 34% sentem que é sua culpa estarem doentes; 33% sentem-se tristes ou envergonhados por ter TB; 33% sentem que as pessoas têm medo de se aproximar devido à sua doença.
Conclusões: a tuberculose pediátrica no Uruguai afeta majoritariamente C&A de contextos vulneráveis, de lares monoparentais e usuários do sistema público de saúde. O absenteísmo escolar por causa da doença não é desprezível, afetando o desenvolvimento integral e a socialização de C&A. A estigmatização, embora baixa em pontuações globais, manifesta-se em sentimentos de vergonha e culpa, podendo afetar a autoestima e a adesão terapêutica.

https://doi.org/10.31134/ap.97.s1.2
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