Revista Oficial da Sociedade Uruguaia de Pediatria (SUP) e recebe para publicação trabalhos relacionados à criança e seu meio ambiente.
Adolescência e doença inflamatória pélvica
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Palavras-chave

Doença Inflamatória Pélvica
Adolescente
Dor pélvica

Como Citar

Arce, M., Rovella, M. L., Quintela, V., Fiol, V., & García, L. (2026). Adolescência e doença inflamatória pélvica: desafios diagnósticos e terapêuticos na prática pediátrica. Archivos De Pediatría Del Uruguay, 97(1), e301. https://doi.org/10.31134/AP.97.1.6

Resumo

Introdução: a Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma infeção do trato genital superior que pode comprometer o útero, as trompas de falópio ou os ovários. A adolescência é um reconhecido fator de risco para o seu desenvolvimento. Na maioria das vezes, é secundária a uma infeção de transmissão sexual (ITS). Os germes mais frequentemente implicados são: Chlamydia Trachomatis (CT) e Neisseria Gonorrhoeae (NG). O seu diagnóstico requer um elevado índice de suspeita. Baseia-se na presença de dor pélvica ou leucorreia, febre, leucócitos e germe característico no exsudado vaginal. O risco de complicações agudas e/ou crônicas é alto; o tratamento antibiótico precoce é fundamental para evitá-las.
Objetivos: descrever a abordagem integral de uma adolescente com dor pélvica secundária a DIP assistida num centro hospitalar pediátrico público de referência no Uruguai.
Caso Clínico: paciente de 14 anos, sexo feminino. Iniciou relações sexuais aos 13 anos, com múltiplos parceiros sexuais. Uso irregular de método de barreira. Consulta por dor abdominal hipogástrica com 5 dias de evolução, náuseas e vômitos. Leucorreia mucopurulenta, sem odor nem prurido. Às 72 horas, apresentou temperatura axilar até 39. Sem outros sintomas. Exame Físico: Abdómen plano, tenso no hipogástrio, dor difusa à compressão superficial e profunda. Sem defesa ou contratura. Exame Genital: Vulva e vagina sem lesões. Colo do útero macroscopicamente saudável. Leucorreia esbranquiçada, não fétida. Ao toque vaginal, colo do útero posterior, 2 centímetros de comprimento, fechado. Útero em anteversão-flexão, sem dor à palpação bimanual. Sem dor à lateralização cervical. Fundo de saco de Douglas livre e indolor. Dos estudos realizados, destacam-se: glóbulos brancos 15.000/L, Neutrófilos 10.000/L proteína C reativa156mg/dL. Exsudado Vaginal: NG positivo. Negativo para CT e Trichomonas. Recebeu anti-inflamatórios não esteroides, ceftriaxona, metronidazol e doxiciclina intravenosa durante 14 dias.
Conclusões: a dor pélvica é um motivo de consulta frequente na adolescência; a equipe de saúde deve estar familiarizada com a sua abordagem. A DIP é uma das suas possíveis causas. É importante manter um elevado índice de suspeita perante a presença de fatores de risco e leucorreia associados à dor pélvica. O diagnóstico é fundamentalmente clínico e com confirmação microbiológica. A antibioticoterapia precoce é crucial para evitar complicações a curto e longo prazo.

https://doi.org/10.31134/AP.97.1.6
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