Resumo
Introdução: a abordagem da Síndrome Febril Prolongada (SFP) é um desafio. A mais frequente etiologia pediátrica é de origem infecciosa.
Objetivo: descrever as características epidemiológicas, clínicas e evolutivas de crianças hospitalizadas por SFP num centro de referência no Uruguai, entre 2015 e 2019.
Materiais e métodos: estudo retrospectivo de crianças menores de 15 anos de idade internadas por SFP. Foram excluídas aquelas com febre recorrente prolongada, SFP de causa oncológica e diagnóstico prévio de doenças autoimunes, oncológicas e imunodeficiências. Analisaram-se idade, duração da febre, manifestações evolutivas, etiologias, tratamento, evolução e associação entre duração da febre e etiologia pelo teste de Wilcoxon-Mann-Whitney (nível de significância de 5%).
Resultados: 132 crianças foram hospitalizadas, com idade média de 5 anos; duração média da febre 9 dias (8-39). Associados na evolução tiveram sintomas respiratórios 62%, sintomas digestivos 29%, repercussão geral 28%. A etiologia da SFP foi: 80% infeccioso, 50% viral (infecção respiratória aguda inespecífica 22), 47% bacteriana (Bartonella Henselae 20) 3% parasitária (toxocaríase 2, leishmaniose 1); autoimune 10% (artrite idiopática juvenil 7); e SFP de origem pouco definida 10%. Não encontrou-se associação significativa entre etiologia e duração da febre. 72% receberam antimicrobianos; antifúngicos 2%; antiviral 1%. Complicação: um caso de farmacodermia grave, nenhuma morte foi registrada.
Conclusões: as infecções virais inespecíficas foram a etiologia mais frequente da SFP. Devido à alta incidência de infecções pelo vírus Epstein Barr e Bartonella Henselae, é importante insistir na busca das causas das infecções. Na maioria dos casos foram benignos e autolimitados.

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