Resumo
Introdução: apesar dos avanços em cuidados críticos nos últimos anos, o choque séptico continua a ser uma causa significativa de morbidade e mortalidade em pediatria (ref). A administração de Vasopressina e Terlipressina (AVP/TP) tem demonstrado boa resposta em pacientes adultos com choque séptico. Em pediatria, seu efeito sobre a morbidade e mortalidade ainda é pouco estudado e controverso. Nos propomos analisar a evidência atual do uso de AVP e TP no paciente pediátrico crítico a partir da apresentação de dois casos clínicos.
Casos Clínicos: apresentam-se os prontuários clínicos de dois pacientes pediátricos de 11 e 14 anos que ingressaram na UCIP com diagnóstico de Choque Séptico. Ambos apresentaram um perfil hemodinâmico similar com resistência ao tratamento com catecolaminas, e em ambos foi utilizada a Vasopressina como vasopressor de resgate.
Discussão: a Vasopressina é uma hormona que, em situações fisiológicas, participa ativamente na determinação da osmolaridade plasmática, na manutenção da volemia e da pressão arterial. Durante o choque séptico, foi constatada uma diminuição na sua concentração plasmática, o que poderia explicar a resistência às catecolaminas e o perfil refratário do Choque. Foi revista a evidência em adultos e pediatria que analisa a utilização deste fármaco nestas circunstâncias.
Conclusões: o tratamento com AVP/TP no paciente pediátrico com choque séptico refratário poderia melhorar o perfil hemodinâmico e evitar a necessidade de outros inotrópicos e vasopressores em doses elevadas. Contudo, até agora, não existe evidência em pediatria de que seu uso possa diminuir a morbidade, mortalidade ou dias de internamento.
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