Resumo
Introdução: as ostomias de alto débito constituem uma causa relevante de morbidade na população pediátrica com insuficiência intestinal e estão associadas a desidratação, distúrbios hidroeletrolíticos e deterioração nutricional. A pesar de seu impacto clínico, o manejo em crianças baseia-se em grande parte na extrapolação de evidências provenientes de adultos.
Objetivos: revisar a evidência disponível sobre as ostomias de alto débito em pediatria e propor uma abordagem clínica prática e escalonada, fundamentada na fisiopatologia e direcionada à assistência multidisciplinar.
Metodologia: realizou-se uma revisão narrativa da literatura pediátrica e adulta relacionada a ostomias de alto débito, insuficiência intestinal, manejo hidroeletrolítico, suporte nutricional, tratamento farmacológico e estratégias coadjuvantes, como a reinfusão de quimo.
Discussão: não existem estudos comparativos nem ensaios controlados que avaliem de forma específica o manejo das ostomias de alto débito em crianças. A abordagem clínica fundamenta-se na otimização do manejo de fluidos e eletrólitos, no suporte nutricional individualizado e no tratamento farmacológico escalonado em casos selecionados. A reinfusão de quimo surge como uma estratégia potencialmente benéfica em pacientes pediátricos selecionados, especialmente no período neonatal, embora com evidência limitada.
Conclusões: na ausência de evidência pediátrica específica, o manejo das ostomias de altodébito deve basear-se em uma abordagem sistemática, multidisciplinar e fisiopatologicamente fundamentada. A identificação precoce dos pacientes em risco e o acompanhamento rigoroso são fundamentais para reduzir as complicações e melhorar os desfechos clínicos. São necessários estudos pediátricos prospectivos que permitam o desenvolvimento de diretrizes clínicas baseadas em evidências.
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