Síndrome de rumição em uma criança com encefalopatia crônica grave
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Palavras-chave

Síndrome da ruminação
Dano Encefálico Crônico
Criança

Como Citar

Síndrome de rumição em uma criança com encefalopatia crônica grave. (2026). Archivos de Pediatría del Uruguay, 97(2), e310. https://doi.org/10.31134/

Resumo

Introdução: a síndrome de rumição (SR) é um transtorno gastrointestinal funcional pouco frequente. É definida pela presença de regurgitações repetidas após a ingestão alimentar, que não ocorrem durante o sono nem são precedidas por náuseas, ocorrendo na ausência de outra doença subjacente que a explique.
Objetivos: descrever a abordagem diagnóstica e terapêutica da SR em uma criança com encefalopatia crônica grave.
Apresentação do caso: paciente do sexo masculino, 8 anos de idade, portador de encefalopatia crônica não evolutiva grave e transtorno de deglutição clínico. Apresentou bom crescimento até os 6 anos. Um ano antes da consulta, desenvolveu regurgitações frequentes pós-prandiais, sem esforço de vômito ou náuseas, acompanhadas de rumição. Os sintomas desapareciam durante o sono. Ao exame físico: emagrecido, massas musculares diminuídas e panículo adiposo hipotúrgico. Índice de massa corporal (IMC): 11,5 < P5 (z = -4,0). A esofagogastroduodenoscopia evidenciou refluxo gastroesofágico grau III. Fracionou-se a alimentação oral diurna e administrou-se fórmula completa por gastróclise contínua noturna; indicou-se omeprazol e realizou-se prova terapêutica com baclofeno. Apresentou evolução favorável, recebendo alta hospitalar aos 25 dias com ganho ponderal, alimentando-se por via oral.
Discussão: a SR é uma entidade pouco conhecida. Seu diagnóstico é fundamentalmente clínico e de exclusão. A manometria esofágica com impedanciometria é o estudo padrão-ouro (gold standard) quando a apresentação clínica não é tão evidente. Requer-se uma abordagem terapêutica interdisciplinar e multimodal. Em crianças com comprometimento neurológico grave, não é possível utilizar terapias cognitivo-comportamentais. O tratamento com baclofeno constitui uma opção terapêutica relevante. É fundamental planejar o seguimento para monitorar a resposta terapêutica e o surgimento de efeitos adversos.

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